sábado, 27 de dezembro de 2014

Tyrion II - A Guerra dos Tronos

    Tyrion está seguindo para o norte, ele vai visitar a Muralha. Ele e sua comitiva, que conta com dois guardas Lannister, Benjen Stark e Jon Snow, partiram no mesmo dia que a comitiva do rei. Porém seu caminho se revelou muito mais duro e frio, e fez Tyrion perceber que conhecer os mapas era muito diferente de conhecer a realidade. Eles estavam perto da Mata de Lobos, que era assim chamada por causa dos lobos que viviam nela. Toda vez que um lobo uivava, Fantasma se levantava e colocava suas orelhas em pé, mas nunca fazia um barulho. Havia alguma coisa muito sinistra naquele lobo de olhos vermelhos, Tyrion percebeu.
    Após um tempo na caminhada, juntou-se à trupe mais três pessoas. Eram Yoren, um membro da patrulha da noite, que trazia consigo dois prisioneiros que seriam apresentados para se tornarem novos membros. Tyrion conseguiu ver o desgosto de Jon quando viu como eram os seus novos irmãos.
    Durante uma montagem de acampamento, Tyrion, que era mais do que inútil nessas atividades, se retirou para um canto e começou a ler. Se abrigou perto de um córrego protegido por uma árvore grotescamente antiga. Tyrion estava lendo sobre ossos de dragão, e isso recordou a ele o quanto gostava de dragões. Quando chegou pela primeira vez em Porto Real para o casamento da sua irmã com Robert, implorou para visitar os crânios dos antigos dragões. Haviam dezenove crânios, e eram belos e negros. Os primeiros eram pequenos, mas ao passar a galeria, eles ficavam maiores, até chegar aos três dragões da história: Balerion, Vhaghar e Meraxes. Eles pertenciam a Aegon Targaryen e suas irmãs.
    Um antepassado de Tyrion, Rei Loren do Rochedo, se uniu com Rei Mern, da Campina, há trezentos anos, quando os Sete Reinos eram propriamente sete reinos. Eles planejam derrotar Aegon, e para isso reuniram um exército cinco vezes maior, e estavam ganhando. Foi aí que os três dragões foram libertados juntos pela única vez na história. Quatro mil homens morreram queimados naquele dia.
    Nesse momento Jon Snow chegou perto de Tyrion e perguntou a ele porque lia tanto. Tyrion respondeu:
     - Catorze, e é mais alto do que alguma vez serei. Minhas pernas são curtas e tortas, e caminho com dificuldade. Necessito de uma sela especial para não cair do cavalo. Uma sela de minha própria concepção, talvez te interesse saber. Era isso ou montar um pônei. Meus braços são suficientemente fortes, mas, uma vez mais, demasiado curtos. Nunca serei um espadachim. Se tivesse nascido camponês, provavelmente me teriam expulsado para que morresse, ou vendido para a coleção de aberrações de algum negociante de escravos. Mas, ai de mim! Nasci um Lannister de Rochedo Casterly, e as coleções de aberrações são das mais pobres. Esperam-se coisas de mim. Meu pai foi Mão do Rei durante vinte anos. Aconteceu que, mais tarde, meu irmão matou esse mesmo rei, mas minha vida está cheia dessas pequenas ironias. Minha irmã casou-se com o novo rei e o meu repugnante sobrinho será rei depois dele. Devo cumprir minha parte pela honra da minha Casa, não concorda? Mas como? Bem, poderei ter as pernas pequenas demais para o corpo, mas minha cabeça é grande demais, embora eu prefira pensar que tem o tamanho certo para minha mente. Possuo um entendimento realista das minhas forças e fraquezas. A mente é a minha arma. Meu irmão tem a sua espada, o Rei Robert, o seu martelo de guerra, e eu tenho a mente... e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada.
     Tyrion gostava do rapaz bastardo.
Everton Taveira

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