terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Bran III - A Guerra dos Tronos

    Era como se estivesse caindo há anos. Voe, uma voz sussurrou para ele, mas como não podia voar, tudo que fazia era continuar caindo. Viu Meistre Luwin moldando um boneco de barro e atirando-o de cima das muralhas, o boneco se espatifou. Bran respondeu que ele nunca caía, mas estava caindo. 
    O chão estava muito longe, mas ele estava caindo muito depressa e mesmo em sonho não é possível cair para sempre. Sabia que iria acordar instantes antes de bater no chão. Mas a voz sussurou: E se não acordar? O chão estava agora mais perto, e Bran desejava chorar. Mas a voz disse: Não chore, voe! Bran respondeu que não podia voar, mas foi indagado pela voz se alguma vez já tinha tentado. 
    A voz era fraca, e Bran olhou para os lados para ver de onde vinha aquela voz. Era um corvo que estava descendo com ele. Bran pediu para o corvo ajudar ele, o pássaro respondeu que estava tentando, e pediu um pouco de milho para Bran. Bran tirou milhos do bolso, e o corvo começou a comer. Bran perguntou se ele era mesmo um corvo, e este respondeu:
     - Você está mesmo caindo?
     - É só um sonho. - disse Bran.
    - Será? - respondeu o corvo.
    - Eu acordo quando atingir o chão - respondeu Bran.
    - Você morre quando atingir o chão - falou a ave.
    Bran olhou para baixo, agora já conseguia distinguir as montanhas, os rios, e começou a chorar.
    - Isso não serve para nada, disse o corvo. Já te disse, a resposta é voar, não chorar. Quão difícil pode ser? Eu estou voando.
    - Você tem asas - fez notar Bran.
    - Talvez você também tenha. - respondeu o corvo.
     Bran começou a se olhar à procura de asas, mas o corvo respondeu que havia diferentes tipos de asas. Bran percebeu que estava muito magro, e se perguntou se foi sempre assim. Tentou se lembrar, mas viu um rosto que dizia: " As coisas que faço por amor". Bran gritou, e o corvo disse:
    - Isso, não, guinchou para Bran. Esquece, não precisa disso agora, ponha-o de lado, faça-o desaparecer.
    Bran agora estava caindo mais rápido, e questionou o corvo porque fazia aquilo com ele. O corvo respondeu que estava ensinando-o a voar, e que todos os vôos começavam com uma queda. Bran disse que tinha medo, o corvo gritou para ele olhar para baixo.
    Bran olhou para baixo, e viu tudo claramente, viu todas as pessoas do reino, e esqueceu-se de ter medo por um momento. Ele viu Winterfell e suas muralhas, viu Meistre Luwin olhando de sua varanda os céus, viu seu irmão Robb, que estava mais forte e mais do que da última vez que o viu. Viu Hodor, o gigante simplório, e também viu o represeiro branco com seus olhos de sabedoria no coração do bosque sagrado. Viu sua mãe em um barco olhando para uma faca suja de sangue que estava em uma mesa. Junto com sua mãe estava Sor Rodrik. Levantava-se uma tempestade à frente do barco, mas por algum motivo eles não conseguiam enxergá-la. 
    Olhou para o sul e viu seu pai no Tridente suplicando ao rei Robert. Viu Sansa chorar até adormecer e viu Arya guardar seus segredos no fundo do coração. Ergueu os olhos e viu com clareza para lá do mar estreito, viu as Cidades Livres, o mar verde dothraki e, mais além, até Vaes Dothrak, no sopé de sua montanha, até as terras fabulosas do Mar de Jade, até Ashhai da Sombra, onde se agitam dragões ao nascer do sol. 
    Finalmente olhou para o norte e viu seu irmão, Jon Snow, dormindo numa cama fria, solitário. Olhou para lá da Muralha, olhou para o norte e para o norte. Olhou para o coração do inverno e gritou. O corvo disse-lhe:
    - Agora você sabe, - sussurrou o corvo ao pousar no seu ombro. - Agora sabe por que deve viver.
    - Por quê? - disse Bran, sem compreender, e caindo, caindo.
     - Porque o inverno está para chegar.
    Bran olhou para o corvo, e viu que este tinha três olhos, e o terceiro era cheio de sabedoria. Olhou para baixo, de novo, e viu que não tinha nada além de neve e morte. Viu ossos de mil outros sonhadores empalados em pontas de gelo. Bran viu ele próprio dizer: " Pode um homem continuar a ser valente se tiver medo?", e seu pai respondeu: " Essa é a única maneira de ser valente".
    O corvo deu um últimato a ele. Voa ou morre. A morte estava vindo de encontro a ele, e Bran abriu os braços e voou. Aquilo era melhor do que escalar. O corvo voou para o resto de Bran, e começou a bicar o meio da testa dele. Bran sentiu uma dor cegante e mandou o corvo parar. 
    Bran olhou de novo e viu que o corvo era na verdade uma mulher. Ele conhecia aquela mulher, era uma criada de Winterfell que agora estava gritando: "Ele acordou! Ele acordou!". Bran levou as mãos à testa, no meio dos olhos, mas não havia nada. Tentou se levantar da cama, mas nada aconteceu. Ele sentiu um movimento ao lado de sua cama, o lobo sentou na sua perna, mas ele não sentiu nada. Bran se perguntou se aquele era realmente o seu lobo, pois estava muito grande. Coçou o lobo, e ele estava quente.
    Seu irmão entrou correndo no quarto, ofegante pela corrida. Bran falou para ele:
     - O nome dele é Verão.
Everton Taveira

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Eddard III - A Guerra dos Tronos

    O capítulo começa com Ned recebendo a notícia de que seus homens acharam Arya. Ela estava desaparecida havia quatro dias, e Ned estava desesperado. Mas Arya tinha sido levada para junto do rei. Ned ficou irado com aquilo, e saiu rapidamente para aonde o rei estava. O rei estava em um castelo pequeno que pertencia a Raymun Darry, que tinha lutado a guerra ao lado dos Targaryen, mas agora vivia sob a paz do rei. Porém, eles não eram bem-vindos ali.
    Ned entrou na sala de audiências de Raymun, que era aonde o rei estava. A sala estava cheia, Ned não gostou disso, pois se estivessem apenas ele e o rei, poderiam resolver aquilo amigavelmente. Ned gritou Arya, que veio chorando abraçar o pai. Ela se desculpou pelos problemas que tinha causado. Ned questionou o rei sobre o porque de Arya ter sido levada até ao salão ao invés de ser levada a Ned. Robert apenas respondeu que queria acabar com aquele assunto rapidamente. Uma discussão calorosa ocorreu naquele lugar:
     - E que assunto é este? - Ned tinha a voz gelada.
     ‐ Sabe perfeitamente bem, Stark. Esta sua menina atacou meu filho. Ela e o filho de carniceiro. Aquele animal que ela tem tentou arrancar o braço de Joffrey. - Falou a rainha.
     ‐ Isso não é verdade - disse Arya em voz alta. - Ela só o mordeu um pouco. Ele estava fazendo mal a Mycah.
     ‐ Joff contou-nos o que aconteceu - disse a rainha. - Você e o filho do carniceiro bateram nele com paus enquanto você atiçava o lobo.
     ‐Não foi assim que as coisas se passaram - disse Arya, de novo perto das lágrimas. Ned pôs-lhe a mão
no ombro.
     ‐ Foi, sim, senhora! - insistiu Príncipe Joffrey. - Todos me atacaram, e ela atirou a Dente de Leão ao rio! 
     ‐ Mentiroso! - gritou Arya.
     ‐ Cale-se! - gritou o príncipe.
     ‐ Basta! - rugiu o rei - E agora, criança, vai me contar o que aconteceu. Vai contar tudo, e somente a verdade. Mentir a um rei é um grande crime - depois olhou para o filho. - Quando ela acabar, será a sua vez. Até lá, tenha cuidado com a língua.
     Arya contou a sua história, e quando chegou na parte em que ela jogava a espada de Joffrey no rio, Renly Baratheon riu muito, e foi retirado do salão. Depois foi a vez de Joffrey contar a sua versão, foi uma história muito diferente da que Arya havia contado, e deixou o rei furioso:
    ‐ O que, com todos os sete infernos, devo eu pensar? Ele diz uma coisa e ela, outra.
    ‐ Eles não eram os únicos presentes - disse Ned. - Sansa, venha cá - Ned ouvira sua versão da história na noite em que Arya desaparecera. Conhecia a verdade. - Conte-nos o que se passou.
     ‐ Não sei - disse com voz chorosa, com uma expressão de quem queria fugir. - Não me lembro. Aconteceu
 tudo tão depressa, não vi...
     ‐ Sua nojenta! - Arya guinchou. Saltou sobre a irmã como uma seta, atirando Sansa ao chão, enchendo-a
de socos. - Mentirosa, mentirosa, mentirosa, mentirosa.
     ‐ Arya, pare com isso! - Ned gritou. Jory a puxou de cima da irmã ainda agitando os braços. Sansa estava
pálida e tremendo quando Ned a colocou de novo em pé. - Está machucada? - perguntou, mas ela estava
de olhos fixos em Arya e não pareceu ouvi-lo.
     ‐ A menina é tão selvagem como aquele seu animal nojento - disse Cersei Lannister. - Robert, quero vê-la
punida.
     ‐ Sete infernos - praguejou Robert. - Cersei, olhe para ela. É uma criança. Que quer que eu faça, que a chicoteie pelas ruas? Com os diabos, as crianças lutam. Já acabou. Não foi feito nenhum mal duradouro.
     - Joff ficará com aquelas cicatrizes para o resto da vida. - Disse a rainha.
     - Pois que fique. Talvez lhe ensinem uma lição. Ned, trate de disciplinar sua filha. Eu farei o mesmo com
meu filho. - Disse o rei.
     ‐ De bom grado, Vossa Graça - Ned respondeu, bastante aliviado.
     ‐ E o lobo gigante? - ela gritou para suas costas. - E o animal que mordeu seu filho?
     O rei parou, virou-se, franziu a sobrancelha. ‐ Tinha me esquecido do maldito lobo.
     Neste momento foi falado que não tinham achado ainda o lobo, mas Cersei falou que eles tinham outro lobo, o lobo de Sansa. Sansa ficou desesperada com aquilo. Mas Robert estava decidido, e falou para Ilyn Payne cuidar do assunto. Ned falou que ele mesmo cuidaria daquilo. Ned percebeu que aquela era o menor filhote da ninhada, era uma verdadeira Lady.
    Quando terminou de fazer aquilo, Ned mandou que alguns de seus homens fossem até Winterfell para enterrar a loba. Ned estava regressando para seu quarto, quando viu Sandor Clegane voltando da busca por Arya. Ele disse que não tinham encontrado a garota, mas a viagem não tinha sido totalmente inútil. Ned pensou que eles tinham achado a loba de Arya e a tinham matado, mas se tratava do filho do açougueiro, Mycah, que foi morto por Sandor, que ainda falou:
     - Ele fugiu - olhou para a cara de Ned e soltou uma gargalhada. - Mas não muito depressa.
Everton Taveira

Sansa I - A Guerra dos Tronos

    Septã Mordane avisou Sansa que seu pai tinha saído antes da madrugada para um encontro com o rei. Disse também que naquele dia iam viajar na casa rolante da rainha e acompanhá-la, junto com a princesa Myrcella. Sansa ficou muito animada com isso, talvez o seu príncipe estivesse lá também, Sansa ainda não o conhecia direito, mas estava apaixonada. 
    Sansa foi atrás de Arya, para chamá-la para o passeio com a rainha. Ela a encontrou na margem do Tridente limpando Nymeria. Sansa falou para Arya vestir algo bonito para aquela ocasião, porém Arya disse que não iria para esse encontro. Arya disse que iria com Mycah, um amigo dela, procurar os rubis de Rhaegar no rio Tridente. Arya também contou sobre as incríveis aventuras que tinha vivido naquela viagem que estavam fazendo. Arya um dia trouxera, toda suja, um buquê de flores para seu pai. Sansa esperava que seu pai repreendesse ela, mas Eddard abraçou a filha. Arya gostava, também, de falar com as pessoas comuns que estavam viajando com eles, coisa que causava repugnância em Sansa.
    Sansa disse que ela teria de ir, pois não podia dizer não à rainha. Arya respondeu, simplesmente, que não gostava da rainha.
    Só e humilhada, Sansa voltou para a estalagem, ela não conseguia entender porque Arya era tão diferente dela. Uma vez até perguntou à mãe se Arya era adotada.
    Ao chegar perto da estalagem, Sansa viu uma agitação. Eram guardas de honra que tinham sido enviados para acompanhar o rei até Porto Real. O primeiro, era um membro da Guarda Real, era velho, mas sua aparência exalava nobreza. Tratava-se de Barristan Selmy. O segundo era o homem mais bonito que Sansa já vira, era jovem e possuía um capacete com chifres. Tratava-se de Renly Baratheon. Também havia um terceiro homem, ele era sinistro, com o rosto marcado pela varíola, e trazia uma grande espada presa às costas.
    Neste momento, fortes mãos agarraram Sansa. Era Sandor Clegane, o cão de caça. Esse homem assustava muito Sansa, com aquele rosto queimado. Sansa se enrolou com Lady, e todos estavam olhando para ela neste momento, e ela se desconcertou. A rainha então pediu para Joffrey acalmá-la. Joffrey acalmou ela e Sansa gostou daquilo. Ela perguntou a ele sobre aquele homem sombrio que tinha visto. Ele respondeu que aquele era Ilyn Payne, o carrasco do rei. Sansa conversou um pouco com Barristan e Renly, e neste instante chegou perto dela Ilyn. Ela pediu desculpas a ele, e ficou esperando uma resposta dele, porém ele se virou e foi embora. Sansa perguntou a Joffrey se tinha falado algo de errado, e Joffrey explicou que Sor Ilyn teve a língua cortada por Aerys Targaryen. 
    A rainha disse para Sansa que ela teria uma reunião com os cavaleiros recém chegados, e teria que adiar o passeio com ela. Cersei pediu para Joffrey entreter Sansa neste dia. Sansa ficou excitadíssima, pois teria um dia inteiro com o seu príncipe. Joffrey levou ela para cavalgar, e tiveram um excelente passeio. Joffrey mostrou a ela sua espada, Dente de Leão. No fim do dia, eles ouviram um barulho, um bater de madeira em madeira. Joffrey quis ver o que era.
     Eles chegaram até o local, e viram uma garota magricela e feia brincando de cavaleiro com um garoto. Eram Arya e seu amigo, Mycah. Arya mandou eles irem embora dali, mas Joffrey estava animado pelo vinho que tinha tomado, e foi provocar o garoto. Mandou ele pegar a sua espada de madeira para duelar com Joffrey. Joffrey chegou perto dele, e encostou sua espada no rosto do garoto. Neste momento Arya veio por trás dele, e quebrou a espada de madeira na nuca de Joffrey. Mycah começou a correr, e Joffrey começou a atacar Arya. Neste momento, Nymeria chegou e avançou em Joffrey, mordendo sua mão. Joffrey largou a espada. Arya pediu para Nymeria sair de cima de Joffrey. A pequena Stark pegou a espada dele, e ameaçou Joffrey, que falou: "Não me machuque. Vou contar para minha mãe." .
    Depois de Arya ir embora, Sansa foi consolar o seu príncipe, falando que ia pedir ajuda. Joffrey se limitou a dizer: "Então vá. E não me toque.".
Everton Taveira

domingo, 28 de dezembro de 2014

Catelyn III - A Guerra dos Tronos

    Ned e as meninas tinham partido a oito dias para o sul quando Meistre Luwin apareceu no seu quarto com os livros de contas. Catelyn estava confinada no quarto de Bran desde que ele caíra. Luwin vinha com problemas que Catelyn considerava fúteis, como os gastos que Winterfell teve com a hospedagem do rei, e as nomeações de cargos. Catelyn se irritara com aquilo e estava prestes a explodir, quando Robb chegou e falou que cuidaria dos problemas. Catelyn sempre achara que Robb parecia com ela, mas agora ele via muito do norte nele.
    Robb pediu para ela sair daquele quarto, pois Rickon precisava dela, ele tinha só três anos, e estava seguindo Robb para todos os lados. Lá fora, um lobo começou a uivar, e logo depois os outros acompanharam. Robb abriu a janela, e disse que Bran precisava ouvi-los. Logo em seguida, Robb percebeu que os cachorros também latiam, e chegou à janela. Ele viu que a torre da biblioteca estava pegando fogo. Robb partiu gritando ordens para tentar apagar o incêndio.     
    Catelyn percebeu que os lobos estavam agora quietos, e quando virou para a porta ela viu um homem, era pequeno e sujo, vestido com trapos. Catelyn conhecia todos os homens de Winterfell e percebeu que ele não era de Winterfell. O homem falou que ela não deveria estar ali. Com um punhal na mão, o homem foi para cima de Catelyn, que tentou segurar a lâmina com as mãos. Seus dedos estavam escorregadios de sangue. Catelyn conseguiu morder o homem e afastar um pouco ele. Mas logo em seguida o homem voltou para cima de Catelyn. Ela percebeu uma sombra se mover pela porta. Houve um ruído surdo e baixo, menos que um rosnado. O lobo pulou para cima do homem e rasgou metade da garganta do homem.
    O lobo ficou olhando para Catelyn, e ela agradeceu a ele. O lobo lambeu a mão de Catelyn e pulou para a cama, deitando-se ao lado de Bran. Ela começou a rir histericamente, e foi assim que Robb e seus homens a encontraram. Eles levaram-na para um quarto e ela dormiu por quatro dias.
     Tudo parecia um pesadelo, mas a dor do corte na mão dela estava lá para lembrá-la da realidade. Robb chegou ao quarto, e ela perguntou a ele quem era aquele homem que entrara no quarto de Bran. Hallis Mollen, o novo capitão da guarda, respondeu que ninguém sabia o nome dele, e que ele estava escondido nos estábulos. Robb disse que tinham encontrado noventa veados de prata no lugar onde ele dormia.
    Catelyn, então disse que alguém havia comprado a morte de Bran. Robb, primeiramente, não entendeu porque haviam de querer matar um garoto aleijado. Catelyn respondeu a ele que se quisesse governar o Norte precisaria prestar mais atenção. Robb chegou a conclusão de que Bran sabia de alguma coisa. Robb mandou colocar guardas para proteger Bran.
    Sor Rodrik Cassel chamou a atenção de Catelyn para o punhal do assassino. Era de aço valiriano com o cabo feito de osso de dragão. Não era um punhal do nível daquele homem. 
    Catelyn mandou fechar a porta e disse que o que ela falaria ali não podia sair dali. Ela contou que Lysa acreditava que seu marido, Jon Arryn, foi assassinado pelos Lannister. Catelyn observou que no dia que Bran caiu da muralha, Jaime Lannister não tinha ido junto com os cavaleiros para a caça. Ela falou que Bran não caiu da muralha, ele foi derrubado.
    Robb tirou a espada da bainha, e brandiu ela no ar, jurando que ia matar Jaime por aquilo. Sor Rodrik advertiu ele que nunca podia tirar uma espada da bainha se não estivesse disposto a usá-la. 
    Meistre Luwin disse que não podia acusar os Lannister sem provas, pois eles não aceitariam aquilo. Catelyn resolveu ir para Porto Real, a fim de descobrir a verdade. Ela e Rodrik Cassel foram nessa jornada.
Everton Taveira

sábado, 27 de dezembro de 2014

Tyrion II - A Guerra dos Tronos

    Tyrion está seguindo para o norte, ele vai visitar a Muralha. Ele e sua comitiva, que conta com dois guardas Lannister, Benjen Stark e Jon Snow, partiram no mesmo dia que a comitiva do rei. Porém seu caminho se revelou muito mais duro e frio, e fez Tyrion perceber que conhecer os mapas era muito diferente de conhecer a realidade. Eles estavam perto da Mata de Lobos, que era assim chamada por causa dos lobos que viviam nela. Toda vez que um lobo uivava, Fantasma se levantava e colocava suas orelhas em pé, mas nunca fazia um barulho. Havia alguma coisa muito sinistra naquele lobo de olhos vermelhos, Tyrion percebeu.
    Após um tempo na caminhada, juntou-se à trupe mais três pessoas. Eram Yoren, um membro da patrulha da noite, que trazia consigo dois prisioneiros que seriam apresentados para se tornarem novos membros. Tyrion conseguiu ver o desgosto de Jon quando viu como eram os seus novos irmãos.
    Durante uma montagem de acampamento, Tyrion, que era mais do que inútil nessas atividades, se retirou para um canto e começou a ler. Se abrigou perto de um córrego protegido por uma árvore grotescamente antiga. Tyrion estava lendo sobre ossos de dragão, e isso recordou a ele o quanto gostava de dragões. Quando chegou pela primeira vez em Porto Real para o casamento da sua irmã com Robert, implorou para visitar os crânios dos antigos dragões. Haviam dezenove crânios, e eram belos e negros. Os primeiros eram pequenos, mas ao passar a galeria, eles ficavam maiores, até chegar aos três dragões da história: Balerion, Vhaghar e Meraxes. Eles pertenciam a Aegon Targaryen e suas irmãs.
    Um antepassado de Tyrion, Rei Loren do Rochedo, se uniu com Rei Mern, da Campina, há trezentos anos, quando os Sete Reinos eram propriamente sete reinos. Eles planejam derrotar Aegon, e para isso reuniram um exército cinco vezes maior, e estavam ganhando. Foi aí que os três dragões foram libertados juntos pela única vez na história. Quatro mil homens morreram queimados naquele dia.
    Nesse momento Jon Snow chegou perto de Tyrion e perguntou a ele porque lia tanto. Tyrion respondeu:
     - Catorze, e é mais alto do que alguma vez serei. Minhas pernas são curtas e tortas, e caminho com dificuldade. Necessito de uma sela especial para não cair do cavalo. Uma sela de minha própria concepção, talvez te interesse saber. Era isso ou montar um pônei. Meus braços são suficientemente fortes, mas, uma vez mais, demasiado curtos. Nunca serei um espadachim. Se tivesse nascido camponês, provavelmente me teriam expulsado para que morresse, ou vendido para a coleção de aberrações de algum negociante de escravos. Mas, ai de mim! Nasci um Lannister de Rochedo Casterly, e as coleções de aberrações são das mais pobres. Esperam-se coisas de mim. Meu pai foi Mão do Rei durante vinte anos. Aconteceu que, mais tarde, meu irmão matou esse mesmo rei, mas minha vida está cheia dessas pequenas ironias. Minha irmã casou-se com o novo rei e o meu repugnante sobrinho será rei depois dele. Devo cumprir minha parte pela honra da minha Casa, não concorda? Mas como? Bem, poderei ter as pernas pequenas demais para o corpo, mas minha cabeça é grande demais, embora eu prefira pensar que tem o tamanho certo para minha mente. Possuo um entendimento realista das minhas forças e fraquezas. A mente é a minha arma. Meu irmão tem a sua espada, o Rei Robert, o seu martelo de guerra, e eu tenho a mente... e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada.
     Tyrion gostava do rapaz bastardo.
Everton Taveira

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Eddard II - A Guerra dos Tronos

    Eddard já está cavalgando para o sul junto com a grande comitiva do rei. No meio de uma madrugada, o rei chama Ned para uma conversa sobre assuntos reais. Os dois, e mais alguns cavaleiros, se afastam da comitiva e ficam isolados.
    O rei começa falando sobre mulheres, e acaba entrando no assunto do bastardo de Ned. Robert pergunta qual foi o nome dela, pois deveria ser muito boa para fazer o honrado Ned trair a sua honra por pelo menos uma hora. Ned responde que o nome dela era Wylla, e pede para que Robert mude de assunto.
    Robert entra, então, nos assuntos reais. Chegou uma carta de Lorde Varys, um eunuco, era o mestre dos segredos de Robert. Trazia uma mensagem de Jorah Mormont, Ned se lembrou dele. Os Mormont da Ilha dos Ursos eram uma Casa antiga, orgulhosa e honrosa, mas suas terras eram frias, distantes e pobres. E Sor Jorah tentara encher os cofres da família vendendo alguns homens como escravos. Ned foi até lá para cumprir a justiça do rei, mas descobriu que Jorah havia fugido.
    A mensagem dizia que Daenerys havia se casado com Drogo. Robert estava pensando que era melhor matá-la logo, pois rapidamente era geraria filhos que poderiam ser um empecilho. Ned não ficou surpreso: ele se lembrava quando eles trocaram palavras iradas porque Twyn Lannister presenteara Robert com os cadáveres da esposa e dos filhos de Rhaegar em sinal de fidelidade. Ned protestara que o jovem príncipe, que era um bebê de peito e sua cabeça foi esmagada contra a parede, e a jovem princesa, que chorava, não eram mais que bebês, mas Robert não o escutou.
    Ned continuou protestando agora em favor de Daenerys, dizendo que ela não passava de uma criança e que aquilo era inqualificável. Robert, porém, respondeu:
     - Inqualificável? O que Aerys fez ao seu irmão Brandon foi inqualificável. O modo como o senhor seu pai morreu, isso foi inqualificável. E Rhaegar... quantas vezes acha que ele violou sua irmã? Quantas centenas de vezes?
    A carta dizia também que Drogo tinha cem mil homens ao seu comando. Ned disse para não se preocupar pois os dothraki odiavam o mar.
    Ned veio com o assunto do protetor do Leste. Já que o rei não queria nomear Robert Arryn, que nomeasse então seu irmão, Stannis Baratheon. Mas Robert já havia nomeado Jaime Lannister. Ned o alertou para o perigo disso: seu pai, Twyn Lannister era protetor do oeste, e em tempo Jaime o herdaria ficando com metade do reino para si. Ned não gostava nem um pouco de Jaime, o regicida. E resolveu contar um caso para Robert:
     - Recorda-se do Tridente, Vossa Graça?
     - Conquistei aí a minha coroa. Como posso esquecê-lo?
     - Vossa Graça foi ferido por Rhaegar - recordou-lhe Ned. - E assim, quando a tropa Targaryen cedeu e fugiu, deixou a perseguição nas minhas mãos. O que restava do exército de Rhaegar apressou-se em regressar a Porto Real. Nós os seguimos. Aerys estava na Torre Vermelha com vários milhares de lealistas. Eu esperava encontrar os portões fechados às nossas forças.
     - E, em vez disso, descobriu que os nossos homens já tinham conquistado a cidade. E então?
     - Nossos homens, não - Ned disse pacientemente. - Os homens dos Lannister. Era o leão de Lannister que flutuava sobre os baluartes, e não o veado coroado. E eles conquistaram a cidade pela traição.
    Os Lannister tinham ficado à margem da guerra, sem tomar lado. Quando Aerys viu os estandartes dos Lannister deve ter achado que tinha chegado a sua salvação, e por isso abriu os portões.
    Ned terminou a história dizendo que quando chegou ao trono, viu Jaime sentado nele, com a espada suja do sangue do rei que tinha jurado proteger. Jaime falou para Ned: "Nada tem a temer, Stark. Estava apenas mantendo-o quente para o nosso amigo Robert. Temo que não seja uma cadeira muito confortável".
     Robert não levou a sério o caso, e deu uma gargalhada.
Everton Taveira

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Daenerys II - A Guerra dos Tronos

    Daenerys estava pronta para casar, porém Viserys estava com medo de Drogo não cumprir sua promessa, que era a de entregar para ele a coroa dos Sete Reinos. Illyrio disse para ele que não se preocupasse, pois os dothraki sempre cumpriam sua palavra, mas faziam as coisas ao seu ritmo.
    Sor Jorah Mormont tinha oferecido sua espada para Viserys, e ele sem pestanejar, aceitou.
    Daenerys estava nervosa com o casamento, e estava com medo de Viserys. Dany teve um sonho, neste sonho Viserys estava batendo nela, ela estava nua e tentava fugir. Viserys batia nela dizendo "você acordou o dragão". Dany fechou os olhos e ouviu um grande barulho. Quando abriu os olhos, viu uma grande cortina de fogo, e um dragão no meio dela. Viserys tinha desaparecido.
    Enfim, chegou o casamento. Era num grande descampado para lá das muralhas de Pentos, pois os dothraki acreditavam que as grandes coisas na vida de um homem tinham que acontecer em céu aberto. O casamento tinha muita bebida e muitas mortes, os dothraki achavam que um casamento com menos de três mortes não era abençoado.
    Viserys, no entanto, não estava gostando nem um pouco. Ele foi colocado em uma posição abaixo da de Daenerys e Drogo, os servos serviam primeiro a eles e depois ofereciam o que eles haviam rejeitado a Viserys.
    Dany estava se sentindo bastante sozinha no casamento, pois Drogo não sabia falar nenhuma palavra no idioma comum e só sabia algumas palavras em valiriano. Ela também estava com medo, tinha medo dos dothraki, de seu irmão, e principalmente do que iria acontecer naquela noite.
    Chegou o momento dos presentes. Dany recebeu muitos presentes, seu irmão ofereceu três aias: Irri, que iria ensiná-la a montar, Jhiqui, para ensiná-la a língua dothraki, e Doreah, para ensiná-la as artes femininas do amor. Irri e Jhiqui eram dothraki e Doreah era lysena.
    Jorah ofereceu a ela uma pilha de livros contando histórias antigas dos sete reinos. Magíster Illyrio ofereceu uma arca contendo muitas roupas, joias e em cima de tudo havia três ovos de dragão. Um era verde escuro, o outro era creme-claro e o outro era negro.
    Os companheiros de sangue do khal também ofereceram presentes para Dany. Haggo ofereceu um chicote, Cohollo um arakh, uma arma típica dos dothraki, e Qotho um arco. Porém Dany tinha sido avisada sobre esses presentes. Era esperado que ela recusasse, e assim ela fez. Quem recebeu esses presentes por ela foi seu marido, Drogo.
    No final, o próprio Drogo trouxe um presente para Dany. Era uma égua, cinzenta com a crista prateada. Dany cavalgou com a égua, e se sentiu sem medo pela primeira vez na vida. 
    Quando o casamento acabou, Viserys chegou perto de Dany e falou: "Dê-lhe prazer, minha doce irmã, senão juro que verá o dragão acordar como nunca acordou antes". Ela voltou a sentir medo depois daquelas palavras de seu irmão.
    Drogo e Daenerys cavalgaram para longe da horda. Quando estavam muito longe, Drogo parou. Dany começou a chorar, mas Drogo as limpou e falou a única palavra que sabia no idioma comum: "Não". 
    Drogo pareceu um homem muito carinhoso, muito diferente do homem que aparentava ser. No fim, Daenerys pareceu gostar dele.
Everton Taveira